Shows clássicos

24 Junho, 2008

A diferença entre o rock e o erudito pode até parecer grande, mas são os dois estilos são clássicos, muito atraentes e qualificados e não raro podem andar em notas conjuntas. A fusão entre eles, inclusive, não é nada recente: desde o final dos anos 1960, guitarristas passaram a ter uma influência mais forte da música erudita em suas composições e solos. Na década de 80, praticar frases de compositores como Vivaldi e Paganini virou uma febre e rotina de os estudantes de guitarra em todo o mundo. Hoje, ainda muitos guitarristas estudam e compreendem que podem construir o futuro ouvindo e estudando a música criada no passado por compositores geniais.

Influências

A música erudita, com seu formalismo e rigor, sempre inspirou o rock, dos elementos melódicos à técnica. O ápice do cruzamento entre rock e erudito ocorreu com o brilho de uma estrela chamada Randy Rhoads, um jovem professor de guitarra que chegou ao estrelato como guitarrista de Ozzy Osbourne. Randy era um músico devotado que estudava horas e horas de violão erudito.

Roll Over Beethoven!, proclamava Chuck Berry, apontado por muito como o inventor do rock’n'roll, uma atitude em que a imagem do compositor Ludwig Van Beethoven era associada à caretice da sociedade que o rock ousava enfrentar.
O caso mais relevante pode ser encontrado na parceria do maestro George Martin com os Beatles. Martin chegou a ser chamado de o quinto beatle. Tanto no esmero dos arranjos como na inserção de elementos sonoros (como as cordas de Eleanor Rigby e os “barroquismos” de In My Life). A música erudita é muito forte na obra dos garotos de Liverpool.

Espetáculos clássicos em Porto Alegre

Em Porto Alegre, em um final de semana, puderam ser conferidos dois shows de música clássica. Dois exemplares bem distintos, mas clássicos.

No dia 21 de junho, sábado, Chuck Berry, legendário guitarrista desde a década de 50, aos 81 anos, veio à capital para fazer um inesquecível show aos amantes de sua guitarra que há muito esperavam por isso.

Já no domingo, 22, o famoso pianista Miguel Porença, um dos mais bem sucedicos nomes da música erudita brasileira, realizou recital no Teatro do Sesi, tocando os já consagrados Brahms, Chopin e Heitor Villa-Lobos.

 

 

 

 

O rock e o erudito ficam em classes diferente dentro do campo musical, mas os belos espectáculos do final de semana na capital são, sem sombra de dúvida, clássicos. O rock de Chuck Berry provoca a efervesência e a múscia erudita de Miguel Proença emociona a alma e estará sempre presente, conservando a tradição e servindo de inspiração para a composição novos clássicos.

Estive no espetáculo de Miguel Proença e meu colega Vinícius Ghise foi ao show de Chuck Berry. Isso nos motivou a escrever sobre o que é “música clássica”.

Abaixo, dois vídeos do recital no Teatro do Sesi.

*Créditos deste vídeo: Imagens com Milton Cougo, Seleção de imagens com Ana Cristina Basei e Alexandre Czyruk, Edição final com Alexandre Czyruk.

*Créditos deste vídeo: Imagens de Ana Cristina Basei e edição de Tiago Sartor. 
*Créditos das fotos que ilustram a matéria: Dudu Leal.

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