Caso Isabella Nardoni – Repercusões

22 Abril, 2008

No dia 29 de março a menina Isabella Nardoni morreu após sofrer queda do sexto andar de um edifício localizado na Zona Norte de São Paulo. A garotinha de cinco anos passava o final de semana com o pai, Alexandre Alves Nardoni, 29, e a madrasta, Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, 24. A queda ocorreu por volta das 23h. Desde o início do caso a polícia trabalhou com a hipótese de homicídio, apontando que havia fortes indícios de que a criança tenha sido arremessada por alguém.

Após ouvir um grande número de testemunhas e receber laudos dos peritos, a polícia acabou confirmando as suspeitas iniciais: indiciou Alexandre e Anna Carolina. O casal, que tem ainda mais dois filhos meninos, de um e três anos, se diz inocente e nega todas as conclusões dos laudos: Isabella já teria chegado ferida ao prédio (agressão durante a viagem no carro da família), dentro do apartamento ela sofreu esganadura e perdeu os sentidos pela falta de ar, depois foi arremassada pela janela e, com a queda, sofreu fraturas que agravaram o seu estado e a levaram à morte. O casal também nega os testemunhos de que havia entre eles brigas constantes e que a figura de mãe de Isabella, Ana Carolina Cunha de Oliveira, 24, causava crises de ciúme na atual esposa de Alexandre. Após oito dias de prisão preventiva os acusados obtiveram habeas corpus e aguardarão o andamento do processo em liberdade.

Desde que o fato tornou-se público uma comoção causada pela morte da menina instaurou-se na opinião pública do país. Crimes igualmente hediondos nem sempre têm a mesma repercussão, na imprensa e na sociedade – o que pode ser atribuído, em parte, ao fato de a vítima ser uma criança, bem como à possibilidade, cada vez mais palpável, de os assassinos serem seu pai e madrasta.

A mídia tem usado e abusado deste caso. Desde sua ocorrência, não se vê outras coisas nos jornais, telejornais, revistas, etc. Principalmente do centro do país. O crime comoveu o Brasil, e no embalo disto a audiência dos telejornais subiu 46%. Na guerra de audiência, vale tudo: vale provocar comoção popular, vale juntar multidões em frente à casa dos parentes da menina morta, vale dizer o horário em que o tio da prima da vizinha do porteiro almoçou, vale transformar tudo em espetáculo.

A mídia tem espetacularizado a dor e o crime; e a opinião pública, bastante influenciável, acometeu-se de um delírio crescente, querendo fazer justiça a qualquer preço, sem ter ao menos certeza da culpa. Já houve diversas vezes ameaça de descontrole da multidão em frente cerca à casa dos Nardoni e foi clara a sensação de linchamento dessa família. É verdade que são extremamente frágeis os álibis e as explicações dos acusados. Dificilmente “aparecerá uma outra pessoa” no apartamento, como disseram eles, mas tem faltado bem senso desde o início da cobertura deste caso.

“A mídia, sobretudo a TV, usa o sofrimento para driblar o sofrimento. Quanto mais instantâneas as catarses, mais intensidade transfere-se para o espetáculo.  A mesma pressa em purgar o padecimento impede que sejam mantidos os ritos da justiça. A sociedade brasileira está tomada pela gana de linchar. Quer sentenças na marra, sumárias.”                                                                                                                                                Alberto Dines em artigo no Observatório da Imprensa,  em 22/04/08

Abaixo, um vídeo postado na internet pelos parentes de Isabella.                                                        Este vídeo foi amplamente disseminado e virou sensação na rede.

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