Archive for Abril, 2008

Caso Isabella Nardoni – Repercusões

No dia 29 de março a menina Isabella Nardoni morreu após sofrer queda do sexto andar de um edifício localizado na Zona Norte de São Paulo. A garotinha de cinco anos passava o final de semana com o pai, Alexandre Alves Nardoni, 29, e a madrasta, Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, 24. A queda ocorreu por volta das 23h. Desde o início do caso a polícia trabalhou com a hipótese de homicídio, apontando que havia fortes indícios de que a criança tenha sido arremessada por alguém.

Após ouvir um grande número de testemunhas e receber laudos dos peritos, a polícia acabou confirmando as suspeitas iniciais: indiciou Alexandre e Anna Carolina. O casal, que tem ainda mais dois filhos meninos, de um e três anos, se diz inocente e nega todas as conclusões dos laudos: Isabella já teria chegado ferida ao prédio (agressão durante a viagem no carro da família), dentro do apartamento ela sofreu esganadura e perdeu os sentidos pela falta de ar, depois foi arremassada pela janela e, com a queda, sofreu fraturas que agravaram o seu estado e a levaram à morte. O casal também nega os testemunhos de que havia entre eles brigas constantes e que a figura de mãe de Isabella, Ana Carolina Cunha de Oliveira, 24, causava crises de ciúme na atual esposa de Alexandre. Após oito dias de prisão preventiva os acusados obtiveram habeas corpus e aguardarão o andamento do processo em liberdade.

Desde que o fato tornou-se público uma comoção causada pela morte da menina instaurou-se na opinião pública do país. Crimes igualmente hediondos nem sempre têm a mesma repercussão, na imprensa e na sociedade – o que pode ser atribuído, em parte, ao fato de a vítima ser uma criança, bem como à possibilidade, cada vez mais palpável, de os assassinos serem seu pai e madrasta.

A mídia tem usado e abusado deste caso. Desde sua ocorrência, não se vê outras coisas nos jornais, telejornais, revistas, etc. Principalmente do centro do país. O crime comoveu o Brasil, e no embalo disto a audiência dos telejornais subiu 46%. Na guerra de audiência, vale tudo: vale provocar comoção popular, vale juntar multidões em frente à casa dos parentes da menina morta, vale dizer o horário em que o tio da prima da vizinha do porteiro almoçou, vale transformar tudo em espetáculo.

A mídia tem espetacularizado a dor e o crime; e a opinião pública, bastante influenciável, acometeu-se de um delírio crescente, querendo fazer justiça a qualquer preço, sem ter ao menos certeza da culpa. Já houve diversas vezes ameaça de descontrole da multidão em frente cerca à casa dos Nardoni e foi clara a sensação de linchamento dessa família. É verdade que são extremamente frágeis os álibis e as explicações dos acusados. Dificilmente “aparecerá uma outra pessoa” no apartamento, como disseram eles, mas tem faltado bem senso desde o início da cobertura deste caso.

“A mídia, sobretudo a TV, usa o sofrimento para driblar o sofrimento. Quanto mais instantâneas as catarses, mais intensidade transfere-se para o espetáculo.  A mesma pressa em purgar o padecimento impede que sejam mantidos os ritos da justiça. A sociedade brasileira está tomada pela gana de linchar. Quer sentenças na marra, sumárias.”                                                                                                                                                Alberto Dines em artigo no Observatório da Imprensa,  em 22/04/08

Abaixo, um vídeo postado na internet pelos parentes de Isabella.                                                        Este vídeo foi amplamente disseminado e virou sensação na rede.

Add comment 22 Abril, 2008

Orçamento Federal

15.04.2008

Governo diz que salário mínimo pode chegar a até R$ 453 em 2009

A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2009, que irá ao Congresso Nacional nesta terça-feira (15), prevê o reajuste do salário mínimo para os próximos anos. Segundo os cálculos do governo, o salário mínimo, que subiu de R$ 380 para R$ 415 neste ano, pode subir para R$ 453 em 2009 e chegar em 2011 em R$ 539.

Na LDO, o Ministério do Planejamento lembra que existem duas regras para o reajuste do salário mínimo: a primeira pela variação do INPC e pelo crescimento do PIB per capita do ano anterior (sistema atual); e a segunda pelo INPC mais a variação do PIB real com dois anos de defasagem – que geraria ganhos maiores para os trabalhadores com o passar dos anos.

O Ministério informa que a LDO prevê a manutenção da regra atual (correção pelo PIB per capita), mas informa que há a possibilidade de que uma “legislação específica” fixe uma nova regra. Em seguida, lembra que o sistema proposto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), carro-chefe do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prevê o reajuste do salário mínimo com base no PIB real.

Pela regra anterior, que ainda está contemplada na LDO, ou seja, pela variação do PIB per capita, o salário mínimo subiria de R$ 415 neste ano para R$ 449 em maio de 2009, para R$ 485 em maio de 2010 e para R$ 524 em maio de 2011. Pela nova regra, que está no PAC, o mínimo passaria de R$ 415 neste ano para R$ 453 em fevereiro de 2009, para R$ 492 em janeiro de 2010 e para R$ 539 em janeiro de 2011.

Aumento do salário mínimo: notícia do Portal G1.

Add comment 15 Abril, 2008

Marshall Mcluhan

01.04.2008

O Meio é a Mensagem: a Teoria do Meio

De acordo com o teórico Marshall Mcluhan o meio sempre vai condicionar a mensagem. Seu pressuposto principal é que O MEIO É A MENSAGEM. Isto é, a mensagem para o receptor, e também para quem produz, vai ser uma ou outra dependendo do meio em que está sendo veiculada. De acordo com o meio em que se está, a mensagem adquire sentidos diferentes, ainda que estejamos falando do mesmo conteúdo.

O meio forma o conteúdo e transforma em mensagem. Mcluhan escreveu isso em 1964, quando ainda se deslumbrava com a novidade da televisão. Mas nada tão atual como as suas idéias. Hoje, vive-se um grande “boom” de mídias: TV, rádio, jornal impresso, internet, cinema, etc. E mais, essas mídias todas agoram entram em processo de convergência: vídeos da internet na TV, vídeios produzidos para a TV na internet, a ´radio abrindo contato via msn para os ouvintes, jornal impressos com versão on line. E o pressuposto de Mcluhan aparece: o mesmo jornalismo apresentado no jornal impresso, por exemplo, por ser estar no site do veículo? A respostas é não. São meios muito diferentes. Cada um tem a sua linguagem e suas especifidades e até mesmo públicos diferenciados.

Fazer jornalismo online é diferente. É outro meio. Logo, o conteúdo e a forma de apresentação devem ser diferentes. De qualquer forma a mensagem será diferente, justamente por por que se está em outro meio. Já começa pelo fato (no exemplo computador X jornal impresso) de que uma pessoa lê em frente ao computador com a mão em movimento sobre o mouse, com a cabeça erguida e em ambinete de menos luz. Diferentemente do que ela deve fazer ao ler um impresso, que está em suas mãos.

Para exemplificar e realizar análise, tomo como exemplo os sites de publicação jornalística citados pelo professor Daniel Bittencourt: Jornal Zero Hora, Jornal do Brasil e Revista Pix.

O site do Jornal Zero Hora torna possível, através do sistema flip, que o leitor possa “folhear” online as páginas do jornal. Como se fosse o impresso. Isto é,  ele procura oferecer ao leitor a forma mais tradicional e conhecida de se ler um jornal. Na verdade imita. Mas o meio é outro! Apesar de interessante e parecer muito com a folha do jornal real quando é dado o zoom, acaba não sendo inovador.  Para Mcluhan, a linguagem do meio leva em consideração as condições tecnológicas do meio. Com as condições tecnológicas que a internet  oferece, talvez fosse mais criativo apresentar o jornal de uma forma diferente do tradicional.

Add comment 1 Abril, 2008


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